Fobia Social

July 17, 2015

 

“Tenho usado álcool para enfrentar situações sociais com estranhos, pois me sinto muito mal. Surge uma ansiedade muito forte, transpiro, tremo e me dá um branco. ”

      

 

Muitas pessoas sofrem de medos irracionais, como se expor em público: falar, comer, interagir com o sexo oposto, entrar numa reunião social... Especialmente com estranhos, surge uma ansiedade muita acentuada. A evolução da fobia social limita a vida profissional, afetiva e social.

 

A pessoa perde oportunidades de conhecer pessoas e lidar com situações novas. Pensamentos de ser rejeitado e avaliado negativamente produzem emoções de medo intenso. A uma incidência considerável de pessoas que sofrem de Fobia Social e passam a usar o Álcool para enfrentar estas situações sociais que produzem alta ansiedade.

 

A Terapia Cognitiva-Comportamental permite a modificação destes padrões de pensamentos, bem como a criação de ambientes que simulam situações de ansiedade social, para que gradualmente a pessoa supere seus medos.

 

Sintomas: aceleração da frequência cardíaca, estreitamento do campo visual, vista turva, hiperventilação (respiração curta, torácica rápida com excesso de oxigenação para o cérebro), dor no peito, bloqueio do pensamento, transpiração e boca seca. O ataque freqüentemente é acompanhado de desconforto, busca intensa para evitar a situação ou para fugir uma vez na situação em si e o comportamento de fuga abrange tanto as situações quanto os pensamentos, (isto é, não pensar sobre os acontecimentos embaraçosos), determinadas pessoas, tem uma percepção aumentada das situações sociais como ameaça.

 

Nestas situações temem ser avaliadas negativamente pelos outros, que eles descubram suas fraquezas, não querem ser rejeitadas ou criticadas por isto e que indivíduos em situação superior estejam atentos aos seus defeitos. Preocupação excessiva e vigilante em relação ao que o outro irá pensar sobre ela mesma.

 

Causas:

Geralmente as pessoas com Fobia-Social têm um auto-conceito negativo de si mesmas e quando em situações de exposição isso propicia o surgimento de pensamentos automáticos do tipo; "vão rir de mim", "estão vendo que minhas mãos tremem e que estou vermelha", antecipações catastróficas do tipo: "vou ficar com a boca seca, minhas idéias vão embaralhar e não vou conseguir falar".

 

Ter passado por situações de ansiedade frente a público, gerou associações (medo de situações semelhantes), estratégias compensatórias (evitação fóbica, exagero na preparação de apresentações, perfeccionismo, déficits em habilidades sociais), pensamentos negativos e exagerados de rejeição e crenças errôneas.

 

A fobia social caracteriza-se pelo medo persistente e irracional do indivíduo de ser julgado negativamente por outras pessoas, levando a evitação das situações que envolvem contato social ou a possibilidade de estar sendo observado. 

 

Atualmente, sabe-se que fatores sociais, biológicos e cognitivos influenciam na origem das fobias. No aspecto social um ambiente familiar muito intensificador de perigos e crítico em relação à comunicação e expressão.

 

No aspecto biológico, compreende-se o medo como uma reação de alarme normal, que todo o ser humano apresenta quando confrontado com alguma ameaça à própria sobrevivência ou a sua integridade física. Em relação aos fatores biológicos, considera-se a ocorrência de desequilíbrio das substâncias neuroquímicas que existem no cérebro, tais como: serotonina, noradrenaliana e dopamina. O cérebro reage ao perigo liberando substâncias químicas que preparam o indivíduo para enfrentar, defender-se ou fugir da situação.

 

Porém, a mesma reação de alarme pode ser desencadeada de forma automática em determinadas situações onde não existe perigo, gerando uma interpretação distorcida. As manifestações físicas são as mesmas e a sensação de medo pode chegar ao pânico. O portador de alguma fobia aprende que determinada situação ou objeto provoca ansiedade extrema e passa a evitá-la. No aspecto cognitivo pensamentos e crenças sobre os perigos de possíveis julgamentos que farão sobre a exposição pública podem produzir reações fóbicas.

 

 

Como lidar com a Fobia Social?

 

1-Perceber os pensamentos exagerados e intensificadores de ansiedade – Busque rever as distorções de pensamento, analise-as em bases racionais. “Serei rejeitado pelas pessoas” “Devo estar falando bobagens”

 

2-Não utilizar do álcool como “medicação” de alívio da ansiedade, pois produzirá no futuro efeitos indesejáveis e não ajudará na melhora efetiva da Fobia Social.

 

3-Compreenda a importância do diagnóstico e tratamento - os resultados são muito positivos com tratamento psicológico, através da Terapia Cognitiva-Comportamental e em casos acentuados associando-se com acompanhamento médico.

 

Histórias de Superação: Vencendo a Fobia Social

 

“Sou A.N. minha vida foi sempre muito limitada em relacionamentos sociais, meus pais diziam que eu era tímido desde menino. Quando chegavam visitas em minha casa subia para meu quarto, lembro-me que isto ficou muito intenso na adolescência. Eu gostava das pessoas e queria me relacionar. Mas quando me aproximava delas sentia: transpiração nas mãos, tremor, aumento de frequência cardíaca, tontura e ansiedade acentuada.

 

Hoje compreendo meus pensamentos quando estava próximo das pessoas, a terapia ajudou muito a identificá-los e modificá-los. Diante de pessoas surgiam pensamentos como: O que estão pensando sobre mim? Talvez imaginam que sou inadequado. Acho que não acreditam no que falo. Creio sou visto como alguém fraco. Estes pensamentos provocavam um branco em minha cabeça, eu perdia as minhas idéias, me calava e queria desaparecer o mais breve possível daquele lugar. Minha vida foi assim, evitando pessoas....

 

Resolvi buscar ajuda psicológica, tudo era muito difícil, o obstáculo nas relações pessoais parecia impossível de ser vencido. Perdi chances profissionais e possibilidades de conhecer garotas para namorar. O psicólogo que me atendeu explicou-me o que era Fobia Social, me aconselhou iniciar Terapia Cognitiva-Comportamental. Disse ao psicólogo que não queria utilizar remédios. Ele explicou que a Terapia iria me fazer muito bem, eu aprenderia a me expor em situações sociais, a identificar e modificar meus pensamentos que produziam aquela ansiedade intensa.

 

No processo terapêutico encontrei uma crença fundamental em minha vida:  sou uma pessoa inferior, comparando-me com outras pessoas.  Esta crença de inferioridade gerava aqueles pensamentos de inadequação. E estes pensamentos produziam aquelas sensações horríveis.

 

O acontecimento que ativava aquela crença de inferioridade eram as situações sociais, fora do ambiente familiar (em casa com meus pais e irmãos eu conseguia conversar e não se manifestava a fobia social).

 

A Terapia foi muito bem-sucedida, compreendi o que acontecia comigo e hoje sei que posso enfrentar as diversas situações sociais. ”

 

Histórias de Superação: histórias que retratam a superação de transtornos psicológicos. Registros da importância do tratamento psicológico algumas vezes associado ao tratamento médico.

Casos Clínicos que ilustram o valor do diagnóstico e a intervenção psicoeducativa, permitindo ao paciente apropriar-se do conhecimento científico (biblioterapia).

 

 

*Alexandre Rivero é Psicólogo, Professor Universitário, Mestrado pela USP e Diretor Clínico do Consultório de Psicologia e Ressignificação Humana -  facebook.com/riveroalexandre

Perguntas e sugestões para esta coluna: riveroalexandre@hotmail.com

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