Crise e Casamento

June 15, 2015

 

 

As mudanças na sociedade, na vida profissional, pessoal, familiar, acarretam crises. Crise não significa deterioração, mas sim necessidade de redirecionar nosso desenvolvimento pessoal, de um grupo que fazemos parte, ou de nosso casamento.

Ajustar-se às transformações é um desafio inquietante, somos convidados pelas situações novas a equacionar rumos inéditos a nossa existência, que requerem amadurecimento capacidade de lidar com a frustração, resistir a fuga, lidar com a ansiedade e conviver com o imprevisível, tais habilidades e competências deverão ser aprendidas. O mundo atual tem exigido muito de todos nós, principalmente lidar com crises, muitas vezes muito próximas de nós, como a conjugal.

Aaron Beck, Bernard Rangé, Frank Dattillio estudiosos de padrões de funcionamento humano apontam alguns destes esquemas rígidos e absolutos de distorções de pensamentos, que respondem por muitas dificuldades no relacionamento de casais, vejamos:


1-Conclusões arbitrárias. Exemplo: A mulher chega em casa com meia hora de atraso, o marido conclui “ela deveria estar paquerando”.

2-Valorização do negativo. Exemplo: O marido não reponde ao bom dia da mulher, a esposa conclui “ele deve estar zangado comigo”.

3-Generalização. Alguns eventos isolados ocorrem e parceiros estabelecem como regra.

Exemplo: A mulher se exalta e na discussão diz estar cansada do casamento, que o marido não é carinhoso e grosso. O marido generaliza “Ela sempre me desvaloriza, ela não quer mais nosso casamento” e anula outros momentos em que foi elogiado e reconhecido.

4-Ampliação e minimização. Amplia-se exageradamente certos aspectos e desvaloriza-se outros. Exemplo: o marido não encontra em casa algum documento, como um contrato de locação e declara a sua esposa “Estamos arruinados, nossa família irá sofrer muito por tal perda”.

5-Auto-atribuição. Atribui a si próprio acontecimentos, que podem ter múltiplas causas. Exemplo a esposa observa o marido passando uma camisa e conclui ele não gosta da forma como cuido das tarefas domesticas.

6-Culpa. Auto exigência, perfeccionismo. Exemplo: O marido prepara o jantar e deixa queimar um dos pratos, passa a se desmerecer como alguém que faz tudo errado.

7-Exigência com o companheiro exagerada. Exemplo: A esposa ao ver o companheiro num determinado dia cansado e silencioso, diz ter outra expectativa de marido, “mais falante e participativo”, passando a desmerecê-lo.

8-Quebra da estima do relacionamento. Exemplo: palavras de desvalorização da relação, da construção do casamento selecionando aspectos falhos e ignorando o lado positivo da relação. “Nosso casamento é uma bomba”.

9-O medo de ser rejeitado faz disparar rejeição ao outro. Exemplo: Marido fala com a esposa e ela não dá a atenção esperada, sente-se rejeitado então faz cara feia e dirige a palavra de maneira rude e agressiva. O medo de ser rejeitado faz ele rejeitar.

Criamos muitas vezes no relacionamento homem-mulher expectativas irrealistas de que o outro deveria trazer soluções fantasiosas para os nossos problemas. Esta esperança de um “paraíso” no casamento nos decepciona e pode quebrar prematuramente uniões. Encorajando a busca de novas relações que se sucedem num ciclo de euforia e frustrações.

 

Até o momento que conseguimos ajustar nossas expectativas de uma maneira mais realista, aprendendo a lidar com nossas emoções e as do outro. A ideia de um casamento, ou uma família idealizada pode levar a desvalorizarmos nosso casamento, nossas conquistas e acreditar que sempre conseguimos pouco, é como se o relacionamento dos outros fosse sempre melhor que o nosso. Esta maneira derrotista de percebermos nossa família enfraquece a estima do casal e em alguns casos a dos filhos também.

Procure ver não só o que falta em sua família, mas valorize o que ela tem de melhor, afinal é sua família! 

No relacionamento atribuímos sentimentos, intenções, atitudes ao outro que podem não corresponder a suas verdadeiras maneiras de sentir, agir e compreender. Assumimos sem perceber o papel de acusadores, juízes, testemunhas, jurados e executores da pena. É preciso rever esta onipotência de adivinhar os sentimentos do outro.

É fundamental no casamento aprender: 

1º DIÁLOGO: Expressar emoções e pensamentos de maneira a sustentar o diálogo, criando um clima de confiança e intimidade com respeito à dignidade do parceiro(a). Falar baixo com palavras que não ofendam. Fechar-se ou desabafar agredindo não levará a melhora da qualidade da relação.

2º FOCO: Aprender a negociar em cima de focos concretos, de determinados temas específicos. Falar com clareza o que se compromete fazer e o que espera do outro.

3º ELOGIO: Comunicar o reconhecimento de atitudes positivas do conjugue (elogiar), valorizar pequenas atitudes que no dia a dia ficam no esquecimento da rotina. 

4º RESUMO: No diálogo procurar antes de falar, ou responder a argumentação do outro fazer um breve resumo, que demonstre a compreensão do que o outro comunicou, este é um gesto promotor de aproximação e superação das crises.

O relacionamento é uma construção de significados, trazemos nossa história pessoal plena de valores, atribuições e significações; o parceiro(a) também agrega ao relacionamento sua cultura familiar, social e pessoal. Administrar este conflito de significados culturais é uma competência fundamental para o companheirismo ser bem sucedido. 

A TERAPIA DE CASAL é um espaço produtivo para desenvolver-se habilidades de comunicação, aumentar a capacidade de discernimento e expressão afetiva. Revisão de significados e crenças disfuncionais, bem como projeção de metas para o relacionamento.

O casamento é uma grande oportunidade de aprendermos a lidar com nossas emoções e com as emoções do outro. 



Alexandre Rivero – Psicólogo 
https://www.facebook.com/riveroalexandre

www.oconsultorio.com

 

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