Dissolução, Império e Mudança

February 27, 2015

 

Vivemos numa época onde temos dissolvido valores e pilares institucionais de governos, partidos políticos, família; segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman cada vez mais nossa sociedade diminui os contatos entre as pessoas e estes passam a durar menos. Ele afirma: "as relações escorrem pelos vãos dos dedos".

 

Nossos valores estão se perdendo, Bauman acredita que precisamos redefinir valores atuais. Neste conceito o sociólogo explica a ideia das “relações líquidas” tudo é muito rápido e está mudando o tempo todo. Não se trata de voltar ao passado, nosso mundo tem se caracterizado pela maior facilidade e velocidade de informação, mas não podemos extinguir relações, descartar pessoas ou desvalorizar sentimentos.

 

Carecemos de sentido para nossas vidas, consumir por consumir num ritual compulsivo ou numa busca angustiada por poder nos levará a um vazio existencial. Fazer política num jogo do vale tudo, em que para atingir determinados resultados rompemos com estratégias éticas e mergulhamos em meios que destroem o sentido, as metas e o sonho original não nos fortalecerá enquanto pessoas.

 

A novela Império é uma saga no horário nobre que descreve a vida de uma família que destruiu seus relacionamentos, convivência afetiva, valores de dignidade, justiça e solidariedade em nome da busca incansável de poder, vingança e ambição desmedida. Os “imperadores” Comendador José Alfredo Medeiros (Nero) e a Matriarca Maria Marta (Lília Cabral) encarnam o “anti-exemplo” da figura de pai e mãe, bem como de empresários e cidadãos.

 

O prazer hedonista, a luta por aniquilar tudo o que representa ameaça ao projeto de domínio assume contornos de uma sociopatia familiar. As referências éticas se perdem nesta fluidez por manter o Império, num conjunto de ações em que o telespectador sente-se estressado pela banalização das relações e da vida. Aguinaldo Silva parece desenhar uma superficialidade agressiva e vazia nas relações interpessoais. A novela espelha o “Império” a nossa volta, com verdades escondidas que acabam vindo à tona em escândalos cotidianos que assistimos através da mídia.

 

Precisamos de um contraponto a esta dissolução que estamos vivendo, algo que nos redirecione para os valores centrais da vida. Mais que conhecimento, queremos sabedoria. Mais que fins vitoriosos, queremos coerência entre meio e fim. Mais que passar por pessoas, queremos conhecer e nos envolver. Mais que sensações, queremos sentimentos.

 

A velocidade extrema associada a superficialidade deforma nossa humanidade.

 

Quando encontramos jovens ou pessoas maduras que manejam com facilidade e velocidade os recursos contemporâneos e não abandonam sua cidadania “gritando” contra a mentira e a corrupção, aos maus tratos com animais, lutando pelo respeito e tolerância às diferenças religiosas, de orientação sexual, raça e sexo; pessoas que se negam a participar das “facilidades” que nosso tempo oferece em termos de promiscuidade, drogas e negociatas; pessoas com reservas profundas de respeito humano, sentimos que a vida merece ser vivida.

 

Estes indivíduos são agentes de mudança na comunidade, oferecendo sua contribuição para um novo tempo em que rapidez e liquidez não se traduzirá como banalização ou empobrecimento da vida; mas sim como enriquecimento para a construção de relações humanas mais plenas e verdadeiras. 

 

 

Alexandre Rivero 

www.facebook.com/riveroalexandre

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